Quem já descuidadamente teve contato com o sumo ou caldo de pimenta nos olhos sabe o quanto é insuportável a dor e a queimação que ele causa. Isso porque há uma série de substâncias irritantes e inflamatórias que plantas desse grupo possuem.

Ciência: Química
Nível:
básico

Um dos grupos de pimentas e também dos pimentões que utilizamos normalmente na culinária, o gênero Capsicum, possui em sua constituição química uma substância chamada capsicina (8-metil-vanilil-6-nonenamida), a qual em contato com as mucosas (vias respiratórias, pele e olhos) produz uma severa reação inflamatória. Curiosamente essa substância foi e ainda é utilizada como indutora de tosse, quando da necessidade de avaliações e experiências de sensibilidade do reflexo de tosse, para testes clínicos e farmacológicos.

Porém, seu uso mais controverso está relacionado com o conhecido “spray de pimenta” ou gás de pimenta. Utilizado pela polícia em vários países do mundo como arma-não-letal para controle de multidões e principalmente para conter agressores, o spray de pimenta também é empregado como arma de autodefesa para civis.

O spray de pimenta contém basicamente, em sua formulação, porcentagens variadas de óleo-resina de Capsicum, que possui como princípio ativo a capsicina, e um solvente (um álcool como etanol ou isopropanol), ou ainda substâncias como silicone, quando o spray tem o objetivo de impregnar o ambiente.

Em contato com os olhos, assim como na pele e vias respiratórias, a capsicina causa um efeito inflamatório que gera uma sensação de dor e ardor levando a cegueira temporária e conseqüente imobilização, o processo se dá devido à liberação de neuropeptídios das terminações nervosas. O seu efeito depende tanto da porcentagem de óleo-resina existente no spray quanto do tempo de exposição, mas em média, é em torno de 15 a 60 minutos. As controvérsias maiores resultam do pouco conhecimento sobre o efeito desta substância a longo prazo, embora estudos apontem que não causem lesões permanentes se houver um único contato. Outro fator é a sensibilidade e doenças respiratórias preexistentes, uma vez que o contato com essa substância pode causar dificuldade respiratória e, algumas vezes foram aludidas como causadoras de morte. A American Civil Liberties Union of Southern California apontou 67 casos relacionados ao spray de pimenta na Califórnia no período de 1990 a 1993 (Fonte: New York Times).

Para tirar a pimenta

Por se tratar de uma óleo-resina, insolúvel em água, uma simples lavagem não irá dissolvê-la. Para os primeiros socorros, o ideal é retirar a vítima para um local ventilado, forçá-la a piscar a fim de provocar lágrimas e lavar a região afetada com grandes quantidades de água corrente, minimizando seus efeitos e diminuindo a quantidade da substância. Sabão e detergentes podem ser utilizados.

Muito embora no Brasil, seu uso seja restrito ás Forças Armadas e às polícias, não há dificuldade de encontrar sites nacionais e estrangeiros com anúncios de venda do spray de pimenta em embalagens das mais variadas formas, cores e modelos, como isqueiros, pequenos frascos de perfumes e até anéis. Mas lembre-se, no Brasil, seu porte e uso é proibido!

Fonte do texto: How Stuff Works