E quem nunca quis ficar completamente invisível? A ciência está chegando lá!”

Ciência:
Física (ótica)
Nível:
intermediário

Em desenhos e em filmes de ficção e fantasia, já vimos várias vezes pessoas utilizarem uma capa ou manto para se manterem invisíveis. Podemos citar, entre eles, a capa mágica de Harry Potter ou a capa da personagem Sheila, do desenho Caverna do Dragão (que não demora a aparecer no blog Anos 80).


A realidade não está tão longe de nos fornecer algo dessa magnitude, mas ao invés de mágica, o segredo está na camuflagem ótica. O princípio desta camuflagem é relativamente simples, embora a execução não o seja, e baseia-se na idéia de projetar sobre a superfície da capa as imagens que se passam atrás dela. Impossível? Então veja com seus próprios olhos:



Fantástico? Quem desenvolve esta tecnologia baseou-se na idéia da realidade aumentada (não confunda com realidade virtual, pois esta pretende substituir a realidade e a realidade aumentada apenas fornece imagens que não estão realmente lá, mas misturada com a realidade).

A grande dificuldade de conceber esta capa é que até então não se conseguia projetar as imagens no tecido de forma que parecesse algo normal ao olho nu, e é então que entra o material altamente reflexivo. Utilizam-se uma câmera, que filma o que está atrás (e que eventualmente deveria ser substituída por microcâmeras a fim de não limitar a movimentação do usuário da capa), além do computador, o projetor e o combinador.

O material retro-refletivo é coberto por milhares e milhares de bolinhas. Quando a luz bate em uma delas, os raios de luz rebatem e voltam exatamente para a mesma direção de onde vieram.

Para entender a singularidade deste processo, basta ver como a luz reflete em outros tipos de superfície. Uma superfície áspera cria um reflexo difuso porque os raios de luz incidentes (que chegam) dispersam-se em várias direções diferentes. Uma superfície totalmente lisa, como a de um espelho, cria o que chamamos de reflexo especular – um reflexo em que os raios de luz incidentes e os raios de luz refletidos formam exatamente o mesmo ângulo com a superfície do espelho. Na retro-reflexão, as bolinhas de vidro agem como prismas, dobrando os raios de luz através de um processo conhecido como refração. Isto faz com que os raios de luz refletidos viajem de volta pelo mesmo caminho que os raios de luz incidentes. O resultado: um observador posicionado na origem da luz recebe mais luz refletida e, portanto, vê um reflexo mais brilhante.

Materiais retro-refletivos são muito comuns. Placas de trânsito, marcadores nas estradas (olhos-de-gato) e refletores de bicicleta usam a retro-reflexão para tornarem-se mais visíveis para as pessoas que dirigem à noite. As telas da maioria das salas de cinema hoje também aproveitam este material porque ele fornece mais brilho em ambientes de pouca luz. Na camuflagem ótica, o uso de material retro-refletivo é fundamental porque ele pode ser visto de longe e em ambientes externos sob o sol, dois requisitos para a ilusão da invisibilidade.

Para não nos estendermos demais no assunto, siga o seguinte link para a explicação completa sobre a tecnologia por trás da capa: http://ciencia.hsw.uol.com.br/capa-da-invisibilidade.htm

Pretendem utilizar a capa até mesmo com fins militares, como é possível ver nesse vídeo aqui.

Fontes:

http://science.howstuffworks.com/invisibility-cloak1.htm
http://www.gpdesenhos.com.br/paginas/outros/outros/cavernadodragao/sheila.htm
http://ciencia.hsw.uol.com.br/capa-da-invisibilidade.htm