Café faz mesmo mal pra saúde?

Ciência:
Química
Nível: básico

A Associação Brasileira da Indústria de Café divulgou em sua pesquisa anual que, entre maio de 2006 e abril de 2007, o consumo per capita de café foi de 5,52 kg de café em grão, cru, ou 4,41 kg de café torrado, ou quase 73 litros para cada brasileiro por ano, padrão semelhante à países como Alemanha, França e Itália, que possuem o maior consumo do mundo.

A pergunta que todos costumam fazer é: café faz mesmo mal à saúde? Para saber a resposta, temos que entender qual o efeito da cafeína em nosso corpo e o que ela causa com o nosso sono profundo (assunto para ser mais detalhado em um post futuro).

A cafeína afeta nosso corpo porque muda o comportamento do cérebro, bloqueando a ação de um componente químico, a adenosina. O cérebro humano possui pequenos receptores de adenosina e, quando ligados, diminuem a atividade das células e fazem com que os vasos sangüíneos se dilatem para aumentar a oxigenação noturna. A cafeína, contudo, funciona como a adenosina e se combina com os receptores de adenosina, impedindo que a adenosina propriamente dita faça sua função. 

Sem os efeitos da adenosina e influenciada pela composição química da cafeína, o efeito no cérebro é oposto ao que seria se a pessoa não tivesse tomado café. As células aumentam a atividade ao invés de diminuir, os vasos sangüíneos se contrarem (por isso que alguns medicamentos contra dor de cabeça possuem cafeína, essa contração alivia a dor) e aumenta a excitação dos neurônios. Essa excitação faz o corpo “pensar” que está em um estado de emergência e começa a liberar adrenalina.

Pupilas dilatadas, aumento na pressão sangüínea por causa da contração dos vasos, liberação de açúcar no fígado, músculos enrijecidos para se movimentar, abertura dos tubos respiratórios, coração acelerado… a adrenalina faz seu papel. Este estado de “emergência” dá ao corpo energia para fazer o que precisamos fazer mas estamos cansados demais ou com sono, pois enganamos o corpo para que pense que estamos “em perigo”.

De onde, então, vem a dependência?

A cafeína aumenta os níveis de dopamina, que ativa o centro de prazer do cérebro. O princípio é o mesmo de drogas como heroína ou cocaína, que fazem esse estímulo através das anfetaminas, várias vezes mais efetivas do que a cafeína. Acredita-se que é por isso que alguns refrigerantes possuem cafeína, pois ela acaba causando dependência.

Tomando cafeína, nosso corpo entra em um ciclo:

– A adenosina é bloqueada e você se sente alerta por causa da adrenalina;
– Dopamina é produzida para que você se sinta bem;
– Quando o efeito da cafeína acabar, você se sente cansado e deprimido, e irá recorrer novamente à cafeína, pois ela lhe causa prazer e lhe dá energia, reiniciando o ciclo.

Manter o corpo neste estado de emergência por muito tempo é prejudicial e acabará por deixá-lo tenso e irritado.

O maior problema a longo prazo é o efeito que a cafeína tem no sono. A recepção de adenosina é importante para o sono, especialmente para o sono profundo. A meia-vida da cafeína em seu corpo é cerca de seis horas. Isso quer dizer que se você consome uma xícara grande de café com 200 mg de cafeína às 3 da tarde, então às 9 da noite ainda há cerca de 100 mg de cafeína em seu organismo. Você pode conseguir dormir, mas seu corpo vai provavelmente sentir falta dos benefícios do sono profundo. Este déficit se acumula rapidamente. No dia seguinte você se sente pior, então precisa de cafeína assim que sai da cama. O ciclo continua a cada dia.

Uma pesquisa realizada por pesquisadores da Universidade de Radboud, na Holanda, revelou que as mulheres com problemas para engravidar agravam o problema em até 26% se ingerirem mais do que 4 xícaras de café por dia.

Pesquisadores brasileiros descobriram recentemente um café descafeinado, graças à uma mutação em uma das espécies trazidas da Etiópia. A pesquisa é gerida pela Unicamp, que levou 17 anos para encontrar a planta.

Fontes:

http://science.howstuffworks.com/question531.htm
http://health.howstuffworks.com/sleep.htm
http://health.howstuffworks.com/sports-physiology.htm
http://lazer.hsw.uol.com.br/cafe.htm
http://opiniaoenoticia.com.br/interna.php?id=17372
http://metropolitanafm.uol.com.br/noticias/brasileiros-descobrem-cafe-sem-cafeina.shtml
http://www.ambienteemfoco.com.br/?p=5314