E se girar causa tonturas e enjôo, como as bailarinas enganam a física?

Ciência: Física
Nível: básico

Cada vez que giramos o corpo várias vezes na mesma direção sentimos, ao término do movimento, uma tontura ou sensação de vertigem cuja intensidade varia de pessoa para pessoa. A tontura pode acontecer também quando levantamos muito rápido do sofá, por exemplo. Tudo acontece porque nosso corpo está tentando localizar em que posição estamos e qual a nossa inclinação.

Dentro de nossas orelhas existe um sistema de orientação que usa a gravidade para orientar nosso cérebro, mandando a ele sinais indicando em que posição nosso corpo está. Ele é composto por cristais de carbonato de cálcio, e quando mexemos nossas cabeças a gravidade atua sobre eles, estimulando-os, e isto faz com que sinais sejam enviados ao cérebro para serem interpretados.

Mas qual a ligação disso com a sensação de tontura? 

O sistema vestibular (nome dado ao sistema descrito acima, e não se assustem, o nome não tem relação alguma com aquele exame para entrar nas universidades públicas) é composto por um líquido chamado endolinfa e por células nervosas sensoriais similares a cílios. Quando nos movemos, esse líquido move-se lentamente na mesma direção e, apesar de resistir ao movimento no início, ele se iguala em velocidade e mantém a direção do giro. Isto envia os sinais ao cérebro, que imediatamente identifica que estamos girando.

Contudo, quando paramos de girar, ainda por efeito da inércia, o líquido continua o movimento! Então, o cérebro recebe sinais de que ainda estamos girando, nos dando a sensação que sentimos de tontura ou vertigem. Quando o movimento do líquido termina o sinal correto é enviado ao cérebro e, com isso, a sensação desaparece.

Quando uma bailarina gira, ela fixa sua visão em um ponto fixo e faz o giro até o momento em que não consegue mais manter o ponto em seu campo de visão. Então, ela gira o rosto rapidamente, voltando a fixar sua cabeça na direção do mesmo ponto (notem que a sua cabeça nunca gira no mesmo ritmo do corpo), fazendo com que o líquido do sistema vestibular tenha pequenos momentos de movimentação por inércia, mas divididos ao longo de todo o giro, minimizando o impacto da tontura ao final de seus movimentos. Isso a ajuda a não ter tonturas e poder girar mais vezes e ainda continuar a dança, mas lembre-se que o movimento é treinado à exaustão para que seu corpo se adapte ao “truque”.

Fontes:

http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20080428192854AAbOHV5
http://science.howstuffworks.com/question483.htm
http://portalawp.com/forum/index.php?showtopic=1915&mode=threaded&pid=17841